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Pesquisas
FAPESP e Unicamp anunciam criação de centro internacional para pesquisas de acesso aberto
Data: 17/03/2015

Voltado à pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases fará parte do Structural Genomics Consortium (SGC)

A instalação no Brasil de um centro de pesquisas mundial voltado para a descoberta de novas drogas será anunciada em 10 de março, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aprovado pela FAPESP dentro de seu Programa Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), inicia suas atividades já como integrante do Structural Genomics Consortium (SGC), parceiro no projeto e que terá em Campinas sua terceira unidade mundial.

Para isso, o Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Unicamp vai receber um aporte de US$ 4,3 milhões da Fundação, além de US$ 1,9 milhão da própria Unicamp. Como novo integrante do consórcio internacional, outros US$ 1,3 milhão serão investidos no centro pelo SGC – uma plataforma de química biológica voltada ao estudo das proteínas quinases, presentes no genoma humano e de plantas e que podem dar origem, inclusive, a novos medicamentos.

Além da parceria com a Unicamp, o SGC mantém outros dois centros, na Universidade de Oxford e na Universidade de Toronto. Baseado no Reino Unido e no Canadá, o SGC é uma parceria público-privada que reúne cientistas, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos de apoio à pesquisa open science (de ace sso aberto ao conhecimento) voltada ao desenvolvimento de novas drogas.

Com o apoio da FAPESP, o Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Unicamp, como integrante do SGC, vai trabalhar com pesquisa colaborativa e resultados compartilhados entre todos os parceiros, na Europa, na América do Norte e no Brasil.

Liderado por Paulo Arruda, professor de genética no Instituto de Biologia da Unicamp, o SGC-Unicamp vai desenvolver estudos com proteínas quinases no genoma humano, onde desempenham papel como reguladores-chave da biologia, RNA e epigenética. Além da pesquisa em quí mica medicinal para o desenvolvimento de novos medicamentos, o centro da Unicamp terá o diferencial de buscar novas descobertas a partir de pesquisas com plantas.

"Estamos especialmente satisfeitos com esta parceria, liderada pelo professor Paulo Arruda e pela Unicamp, que aumenta a cooperação entre instituições de pesquisa de renome internacional e instituições do setor privado", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP. "Isso abre caminho para um cluster de biociência vibrante e autossustentável, que vai trazer benefícios para o Estado de São Paulo e para o Brasil".

Resultados compartilhados

As pesquisas e possíveis descobertas sobre novas moléculas no SGC-Unicamp serão feitas de forma gratuita, sem o obstáculo imposto por patentes, como já acontece nos outros dois centros de pesquisa do SGC.

Para isso, pesquisadores em Campinas vão trabalhar em estreita colaboração com colegas da Universidade de Oxford e da Universidade de Toronto para gerar pequenos inibidores selectivos da molécula – ou sondas químicas – que podem ser usados em novas terapias. De acordo com Paulo Arruda, após testes suficientes, eles serão disponibilizados para cientistas brasileiros e de outros países, sem restrição de uso.

"Apesar da sua importância e do potencial das quinases para a descoberta de medicamentos, apenas uma pequena fração dessas proteínas tem sido estudada. Vamos nos concentrar em uma lista de 26 quinases que estão ligadas a doenças neurológicas, angiogênese e câncer, que rep resentam uma fonte biológica nova, rica e que estão no foco desta proposta”. Para Arruda, ao criar esta plataforma química de acesso aberto, a Unicamp passa a ser um dos centros mundiais de biologia química de quinases.

Segundo ele, trata-se de um empreendimento de longo prazo, com a visão ambiciosa de desenvolver a área de química medicinal no Brasil, mas não apenas isso. “Será feita a transposição do conhecimento da área biomédica para a área de plantas, cujo tema central da linha de pesquisa será a tolerância à seca. A pesquisa nos permitirá entender, por exemplo, o processo de resposta de estresse hídrico nas plantas”, afirma.

Aled Edwards, diretor executivo do SGC, acredita que o apoio da FAPESP e da Unicamp à circulação de pesquisadores na terceira unidade mundial do SGC vai promover e reforçar o compromisso para as pesquisas de acesso aberto. "Por mei o dessa parceria público-privada internacional, somos capazes de dar suporte a uma rede robusta, eficiente e eficaz que pode identificar novos tratamentos farmacêuticos para responder a necessidades médicas não satisfeitas em câncer, metabolismo, inflamação e outras doenças", diz.

A parceria público-privada conta com o apoio também de empresas do setor farmacêutico, que contribuem com fundos e conhecimento técnico em uma área promissora na descoberta de medicamentos. “Outro diferencial do projeto é aliar a pesquisa acadêmica com a pesquisa na indústria. Trata-se de um modelo da pesquisa acadêmica inserido no contexto da produção em larga escala”, explica Arruda.

O coordenador do SGC-Unicamp complementa que empresas também poderão participar de processos básicos, a exemplo da GSK, principal parceira privada do consórcio, que disponibilizou uma biblioteca de moléculas químicas – com 376 sondas químicas –, conhecida como PKIS (The Published Kinase Inhibitor Set). Além disso, segundo Arruda, com o desenvolvimento das pesquisas, haverá ainda a possibilidade de criação de start-ups.

Para Alvaro Crósta, vice-reitor da Unicamp, a instalação na universidade de um Laboratório membro do Consórcio de Genômica Estrutural (SGC) é um passo de destacada importância no campo das pesquisas de ponta em Genômica. “Junto com as universidades de Oxford e de Toronto, e com a empresa farmacêutica britânica GSK, o laboratório é parte do consórcio que buscará soluções para várias doenças em que a classe das proteino-quinases desempenha papel relevante, além de possibilitar a interação nessa área de pesquisa com vários laboratórios do Brasil e do mundo, tanto no setor público quanto privado” diz.


Fonte: FAPESP


 
 
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